Quem lê meu blog com uma certa freqüência já deve ter notado que não sou muito de comentar os acontecimentos que se tornam notícia em nosso mundinho. É que sou alienadinha mesmo, não vejo jornal, só de quando em vez leio o Globo on line, não assisto novela, não acompanho o Bigbróda.
Sem contar que moro em uma cidade em que a programação cultural não é lá essas coisas, o que significa que teatro é luxo, só acontece um ou outro show por aqui e, no cinema, nem sempre é possível assistir aos lançamentos.
(Ai, Deus, além de alienada, sou prolixa também…)
Então…
Só que tem coisas que, por mais que não queira, acabo por tomar conhecimento. Uma dessas foi o brutal assassinato do menino João, arrastado por ruas, no Rio. Li a notícia, primeiro, no Globo. Depois vi o Jornal Nacional. Por fim, li vários textos em blogs falando sobre o assunto.
Seguindo minha peculiar política, não quis escrever nada sobre o assunto à época. Mas isso não quer dizer que não tenha ficado afetada, chocada. E, como chorona assumida, é claro que muitas lágrimas foram derramadas cada vez que pensava no sofrimento do menino, no sofrimento da família, dos amigos. Os debates suscitados pelo caso, inclusive, me deram o mote a ser tratado no meu TCC.
Mas, olha só… ontem Luciana escreveu sobre o João porque fez um mês que ele morreu. Luciana é Luciana, né? A bicha é danada de boa mesmo, os textos dela são maravilhosos e este, então, tá perfeito. Se vocês forem lá, vão ver que o post motivou comentários enormes e tristes – o meu lá no meio - com tom de desilusão.
E não é para menos. Porque a situação é mesmo desoladora. Não se vê, por parte das autoridades, nenhuma mobilização para que, efetivamente, a coisa se resolva. Não se enxerga solução a médio ou a longo prazo, que dirá com a urgência que a gente necessita.
Meninos e meninas morrendo e matando a torto e a direito, a gente no meio tentando se manter vivo. Pessoas defendendo a pena de morte e a diminuição da maioridade penal, outras querendo um tratamento mais humano aos socialmente desviados.
Mas, como a realidade é muito triste e já é uma batalha digerir toda a banalização da violência que nos chega pela TV e demais mídias, parece que o assunto principal de muitas rodinhas é se está ou não havendo conchavo para que o Alemão ganhe o BBB7. E a gente acaba se contentando com a justiça que Manoel Carlos nos deu de presente, já que a vó má e perversa ficou mesmo sem o dinheiro e sozinha no final da novela.
Com certeza, a sinopse de nosso sistema atual de coisas não foi escrito por ninguém do staff dos autores dos folhetins da TV Globo.
