TPM maligna

Não lembro da minha vida sem TPM. Afinal, fiquei menstruada pela primeira vez uns dois meses antes de completar 10 anos de idade. Isso quer dizer que são 29 anos de TPM todo mês. Tem gente que lê isso aqui que ainda não tem esse tempo de vida, né? Ai, ai, velheira…

É claro que, quando estava grávida e alguns meses depois dos partos, não sofri com TPM simplesmente porque também não menstruava – milagres da prolactina. Mas tinha tantas outras ocilações hormonais que, por fim, acho que o efeito era o mesmo.

Minha TPM aparece de forma difente a cada mês. Às vezes ela vem furiosa, com fogo nos olhos e ânsia por genocídio; graças a Deus, isso é raro. Tem meses que choro por tudo, com as alegrias e as tristezas; tudo é tão tocante, tão emocionante. E ainda tem mês que parece que ela não veio, de tão fraquinha que a bichinha tá.

Mas, sem dúvida, a pior maneira da dita cuja se manifestar é na forma da desesperança. É a TPM maligna.

De repente começo a me dar conta de como minha vida é uma droga, de como faço tudo errado. Percebo que sou péssima esposa, péssima mãe, um arremedo de profissional. Aliás, vejo claramente que não tenho possibilidade real de melhorar em nada, não tenho saída ou salvação. E, o que é pior, que estou levando pro buraco todo mundo que, por um motivo ou outro, está ligado a mim: marido, filhos, amigos.

Tudo é terrivelmente complicado e cinzento, as perspectivas são as piores possíveis. O conhecido “lado bom” das coisas, na verdade, é mau e só não percebi isso antes porque não prestei a devida atenção. E eu sou feia, e gorda, e de cabelo ruim, e com rugas, e não tenho uma roupa que preste, e meu carro vive sujo, e minha casa tem as paredes mais imundas da galáxia, e meu quintal é uma vergonha…

A TPM maligna é insidiosa e domina minha mente de forma tão sutil que não parece uma possessão. Mas ela é. É uma entidade tomando conta de meus pensamentos e que me traz de presente um óculos. Coloco os óculos e as lentes, gradativa e rapidamente, vão ficando escuras até me impedirem de ver qualquer luz, principalmente as que estão no fim do túnel. Aí, pronto, já era, sou sua refém.

Por sorte, no dia em que a menstruação chega, os óculos se quebram e volto a enxergar as coisas da minha maneira habitual: tudo distorcido, mas com cores alegres e brilhantes, porque, como todo mundo já sabe, sou uma deslumbrada que acredita que a bondade habita os corações humanos e que os finais podem ser felizes. Ai, ai… deixa pra lá, nem sei o que é pior.

 

 

 

 

 

Publicado em: on 22 Outubro - 2007 at 9:35 am Comentários (21)
Tags: , , ,