- Sabe que essa semana sonhei duas vezes contigo?
- É mesmo? Duas vezes! Não é muito… a semana já está quase acabando…
- Mais vezes do que sonhei com qualquer outra coisa.
- Er… então me conta os sonhos.
- Hum… vou contar, mas estou um pouco constrangida. Não ligue.
- Conta, por favor… sonho é tudo maluco; é normal sonhar com coisas estranhas. Como foi o primeiro sonho?
- No primeiro sonho, nós andávamos na direção um do outro. E, quando a gente se encontrava, você me beijava na boca.
- Na boca?!?
- É… aí, tá vendo? Tô sem graça…
- Hahahaha… não fique! O que aconteceu depois?
- Nada… o sonho acaba com o beijo.
- Beijão?
- Sim… demorado. Macio, quentinho, úmido… acordei com uma sensação boa.
- Bom… então você gostou?
- Gostei…
- Hahahahahaha… ainda bem! Beijo na boca… que coisa… e o segundo sonho? Foi continuação do primeiro?
- Não… mas o segundo sonho… nem sei se devo contar…
- Ah, não! Você tem que contar!
- O segundo sonho é mais constrangedor…
- Ixi… o que a gente tava fazendo dessa vez?
- A gente não estava fazendo nada… quer dizer… ah, o sonho foi o seguinte: eu estava numa loja, conversando com umas três ou quatro pessoas, mas não me lembro quem eram.
- Eu também estava junto?
- Não. Mas você chegava na loja, comprava alguma coisa e se dirigia ao caixa. Aí as pessoas que estavam conversando comigo apontavam pra você e diziam: “olha só! ele é gay!”. E, quando eu te olhava, você começava a rir.
- …
- Viu? Não devia ter contado.
