Meu cabelo é crespo e armado. Muito crespo e armado. E, como não podia deixar de ser, meu sonho quando criança e adolescente era ter um cabelo lisinho, brilhante e beeem comprido.
Não ajudava em nada ter um irmão mais novo com o cabelo mais liso, loiro e brilhante de toda a vizinhança. Eu chorava – de verdade – , reclamando pra minha mãe: “ele é homem!!!! Pra que um cabelo tão liso e lindo?!?” E o danado, só pra me fazer raiva, deixava o cabelo crescer. Argh!!!
Outra coisa que não contribuía: eu era alucinada por natação e era boa nadadora. Cheguei a competir e tudo! Mas vocês sabem o que resulta da combinação cloro + cabelo crespo + sol? Algo parecido com uma palha áspera.
Então minha mãe usava em minhas madeixas todas as receitinhas caseiras pra hidratação que se pode imaginar. Ovo, abacate, arovit, babosa, e o que mais fosse receitado, me bezuntavam a cabeça semanalmente. Sem contar que, por muito tempo, cortavam meu cabelo curtinho, igual ao da Rosana Garcia que, na época, fazia sucesso no Sítio do Pica-Pau Amarelo como Narizinho. Pois é, meu pai me achava parecida com ela e queria meu cabelo assim, daquele jeito.
Das “fórmulas de hidratação” que usei, duas me deixaram traumatizada mesmo. A primeira, quando minha mãe começou a emplastar meu cabelo com maionese antes que eu pulasse na piscina. Gente! Maionese tem um cheiro horrível! Mesmo depois de lavado, meu cabelo fedia à salada de batata de fim de semana. Ninguém merece…
A outra “dica fabulosa” foi massagear banha de galinha no cabelo úmido. A banha de galinha era tipo um live in, sabe como? Era pra lavar os bebelinhos normalmente, usar o creme rinse – creme rinse, gente! Eita nós! – e, depois de tudo, passar a banha de galinha e não enxaguar mais. Deixar secar. Dá pra imaginar o cheiro disso? Sim, sim, frango assado com maionese. Era o almoço de domingo na minha cabeça!
E, bem naqueles dias, fazia sucesso entre as patricinhas do colégio uma linha de shampo fresquézima que tinha como principal atrativo o aroma. Quem aqui foi adolescente nos anos 80? Lembra desses shampos? Não sei mais o nome, mas os frascos eram pequenos e marrons… e era caaaro. Mas os cabelos ficavam perfumadíssimos, coisa de doido!
É óbvio que não era shampo pra mim. Meu cabelinho ressecadérrimo era lavado com Colorama de Ovo (caraca, melhor colocar naftalina nesse post), muito creme rinse e, depois, o delicioso bálsamo de banha de galinha, pra finalizar o look.
Oh, glória, pelo formol nas nossas vidas!

Hahahaha… Como vc é engraçada, Cláudia.
Eu era a menina do cabelo lisinho da escola que mandava as meninas de cabelos crespos e armados cortarem franja para ficarem como eu. Claro que não ficavam! hehee.
Sim, eu era uma criança péssima.
Hahahahaha. “O almoço de domingo na minha cabeça”.
Ah, Mamy, eu não acho que tem nada de errado em você alisar seus cabelos, se é assim que você gosta deles. Ué, você podia estar roubando, podia estar matando, mas nãão, você só tá ‘alisano’…
=]
Eu não cheguei a usar não, mas tinha uma amiguinha minha que usava maionese, em plenos anos 90, pra hidratar o cabelo… É mole??? Mas, ó, console-se, pra matar piolho minha mãe já passou até fumo-de-rolo na minha cabeça… Fubá e vinagre também.. Ai, era um horror!!! rsrsrs…
Quando jovem, eu tinha cabelo loiro e liso. Quase de He-Man sabe!
Ai fui crescendo e ficando velho e o cabelo escurecendo!
E ficando caxeado!
Fique tranquila, não foi só você que passou maionese no cabelo…
Apesar que teve uma época que cabelo armado era moda e teve muita gente que lavou com sabão em pó,kkkkk
Ahhhh você esqueceu do Neutrox, aquele tubo amarelo, que parece que tinha soda cáustica dentro.
Putz, você deve ter sofrido!!
Com uma história dessas, você bem que merecia ganhar o concurso, né?
Ô Hilllda minha filha… lembra da lama negra??
Esses shampoos cheirosos não me lembro não, mas eu não ousaria usá-los, porque com aquela cabeça de samambaia ambulante… ne-ver, e-ver!
Adorei seu post.
Me identifiquei bastante com ele, por q será?!
Achei a estória,real e hilária,que quando você tiver bem velhinha, lembrará com saudades dessa época, que nunca mais terá volta, anos que a ditadura da moda não deixa a gente ser feliz…