“Meu querido amigo,
dá para imaginar o quanto fiquei feliz em reencontrar você? Acho que sim. Acho que você também ficou muito feliz. Pois é… mas, como já te disse, nossa última conversa me deixou arrasada. Caramba, como fiquei triste!
Mas, não pense que fiquei assim por causa do que você me falou. Não! Na verdade, gostei demais. O que me entristeceu foi perceber que meu tempo já passou.
É… passou…
E se eu soubesse naquela época o que sei agora? E se você tivesse me dito, naquela época, o que me disse agora? E se… e se… Será que mudaria alguma coisa? Foi isso que me deixou triste.
É que fiz tantas bobagens, perdi meu tempo com tantas pessoas que não valiam a pena, me gastei à toa e logo você, uma das pouquíssimas pessoas que realmente importavam para mim – poxa, logo você! – eu deixei passar. É que eu nunca imaginei. Nem desconfiava.
Para dizer a verdade, eu pensava justamente o contrário: me sentia invisível na sua frente. Eita, que idiota!
Quer saber outra coisa idiota? Quando te vi aquele dia, com aquela menina (sua namorada), fiquei, bem no fundo, feliz. Sabe por que? Porque achei ela parecida comigo. É… parecida fisicamente comigo. Aí, pensei: gente, quem sabe ele também não me daria bola? Só que não tive coragem de me aproximar. Ficou tudo na mesma.
Olha, sinto muito, muito mesmo. Sinto tanto que até me surpreendo. Chorar o leite derramado? Bobagem! Eu me debulhei em lágrimas por causa do leite derramado… cara, ninguém merece!
Não, não chorei de verdade (antes o tivesse feito), mas fiquei com um buraco por dentro. Que coisa…
Com certeza seria tudo diferente, porque, com você, valeria cada minuto vivido. Porque você era a pessoa que eu sonhava para mim naqueles dias (e sonhei por muitos anos). E isso era tudo que eu precisava naquela época.”
(publicado em 28.9.05)
