Pois é…
… posso usar a página pra falar um pouco de mim?
Aliás, é para isso que tenho um blog. Porque, quem convive comigo sabe, quase nunca falo de mim mesma. Um amigo meu um dia me falou que acha estranho, já que todo mundo gosta de falar de si e eu não, eu me contento em falar do outro, hahahha…
É… mas a verdade é que também gosto de falar de mim. Só que - com raríssimas exceções - normalmente vejo desinteresse no interlocutor e, por isso, prefiro não falar. Mas não me importo. Ouço o que têm a me dizer e fico bem. E, quanto às exceções… ah… Deus sabe o quanto as valorizo, como as guardo no fundo do meu coração num lugar super especial, com letreiro de neon, plumas e muito brilho.
Então, vamos começar pelo que é aparente aos olhos: sou uma mulher de quase quarenta anos, mãe, esposa, filha, irmã. Sou bacharel em Direito e trabalho nessa área. Tenho três cachorros. Meu riso é fácil e minha gargalhada escandalosa. Baixinha, com uma luta diária contra a balança. Atualmente sou ruiva.
Outra coisa que todo mundo vê é que sou durona. Sou madeira de dar em doido. Os problemas não me deixam acuada, não mesmo! É mais fácil me verem avançando, quase nunca recuo. Não me abato muito facilmente.
Ocorre que essa dureza toda é só uma casca. Uma casca grossa, mas, ainda assim, casca. Aí, por dentro vocês encontram uma gelatina, uma ‘boca-aberta’ que chora até com os episódios dos Simpsons. Mas isso quase ninguém vê. E os que vêem se assustam. Ai…
E eu clamo por proteção. Estou gritando: não me coloquem à frente dos leões, alguém, por favor, mate esses bichos pra mim! Bobagem… ninguém ouve mesmo. E, quando ouve, faz cara de espanto, ‘tá doido, você não é a forçuda?!?’ Então tá, vou lá e mato a pau. E depois, tremo de medo, sozinha, chorando na cama, que é lugar quente.
Mas tem uma coisa: eu não mimo machucados. Não fico no cantinho, morrendo de pena de mim. Mesmo porque, não dá tempo. Então, quando a coisa tá muito braba e sinto que estou desanimando, dou uns gritos comigo mesma, digo pra parar com essa frescura toda e resolver logo o que pode ser resolvido, esquecendo todo o resto. Bem… até agora tem funcionado. Mas é por isso que não faço terapia, tenho medo de encontrar o que varri pra debaixo do tapete.








