Já que é para falar de mim…

… vou começar dizendo que recuperei meu estado de ânimo normal.
E qual é meu estado de ânimo normal, vocês sabem? Bem, talvez alguns já desconfiem, mas, para quem não sabe, normalmente sou uma pessoa feliz com a vida. É, o “normalmente” ficou em itálico, porque não tem como a pessoa ser o tempo todo feliz e animadinha, a não ser que seja alienada mental, pois o mar não está pra peixe e a gente tem que matar um leão todo dia, e mais um monte de provérbios antigos que nos convencem das dificuldades da vida.
A realidade é que sou uma pessoa de espírito animado. É difícil de me abater. Quando fico muito triste por algum motivo, choro, choro, choro (sou muito chorona) e, no dia seguinte, já estou pronta pra enfrentar o problema ou, dependendo do caso, empurrá-lo com a barriga, pois nem sempre a gente está a fim de resolver tudo, né?
Sou quase uma crédula, também. A não ser que a vilania seja uma coisa gritante no indivíduo, normalmente (em itálico de novo) não consigo atribuir más motivações aos que convivem comigo. É claro que quebro a cara à beça, mas, o que posso fazer? Eu acredito que as pessoas são essencialmente boas, não consigo pensar diferente. E fico sinceramente surpresa quando vejo que nem sempre é assim.
Por exemplo, tenho um casal de amigos que está passando por uma grave crise conjugal. Gente, gosto demais dos dois, eles são meus amigos de longa data. A esposa já tinha se queixado algumas vezes que achava que o marido não estava sendo fiel a ela, que ele mesmo tinha dito que estava “encantado” com uma colega de trabalho, mas, sério que achei que ela estava exagerando. Daí, eu quase caí pra trás quando soube que ele a traiu de fato. Sério mesmo, eu não conseguia acreditar que ele fosse capaz de se envolver com outra mulher. Achava ele tão apaixonado pela esposa. E pelo jeito, só eu achava isso, porque nossos outros amigos em comum não ficaram nem um pouquinho supresos.
Tudo bem. Não quero mudar isso. Não quero ficar desconfiando o tempo todo das intenções das pessoas. Pego amizade facinho, facinho, sabiam? Não precisa de muita coisa para me conquistar.
Também não sou rancorosa. Muitas vezes fui magoada (quem já não foi?), mas, se a pessoa pedir desculpas, ou mesmo se a pessoa passar a me tratar bem de novo, não consigo guardar ressentimentos.
Mas, o que dizer da minha recente crise emocional? Olha, foi uma coisa diferente para mim também. Acho que nunca tinha estado assim antes. Vocês não imaginam o esforço que fiz para continuar as atividades cotidianas e o esforço que fiz para que minha família e amigos mais próximos não percebessem que eu estava arrasada. Vocês não têm idéia das coisas que dizia para mim mesma, tentando me fazer voltar à realidade. Sim, porque a impressão que eu tinha era que aquilo tudo não era real, não estava acontecendo. Parecia um filme triste. Péssimo.
Só que passou. Estranho… não sei porque passou. Só sei que aquele sentimento ruim não está mais em mim. Quando me volto para dentro, identifico direitinho o lugar onde estava a dor, mas o lugar está vazio, não dói mais. Chego a pensar que a dor não existiu. Mas, se ela não existiu, o que está fazendo ali aquele lugar vazio? Ali tinha uma dor, eu me lembro. Para onde ela foi?
Contanto que não volte, tudo bem a dor ter sumido. Aprendi tanto sobre mim mesma durante aqueles dias! Foi um amadurecimento. Tive que rever todas as minhas prioridades. Tive que decidir o que era mais importante na minha vida. Quase que foi bom.
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Published in: on 24 outubro - 2005 at 5:33 pm  Deixe um comentário  

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