Meu querido blog-diário!

Tinha muita coisa para escrever hoje. Podia falar da minha primeira aula de violão (que na verdade foi há uma semana) e das dificuldades que tenho para encontrar tempo (leia-se disposição) de treinar a música que o fêssor passou. Ou, então, que emagreci mais um quilo e só faltam quatro para eu atingir minha meta no Vigilantes do Peso. Também podia falar do calor, ou que começaram as aulas do caçula, ou que, no sábado, encontrei, abracei e beijei uma grande amiga que não via há 18 anos. São coisas boas, não são, diarinho?
Mas, essa manhã aconteceu um troço que me tirou do sério. É uma situação que se repete desde os meus 13 anos de idade, desde que meu pai largou a casa para morar com outra mulher e, quando penso que nunca mais vou presenciar tal evento, ele se repete. E, toda vez que acontece, eu tremo, literalmente tremo, de raiva e impotência.
Minha mãe, mais uma vez, se humilhou, se fez de boba, de louca ciumenta, de irracional, perante meu pai. Caraca! Será que isso nunca vai ter fim? Olha… taí uma coisa que acaba comigo, me atinge como um socão no meio da cara! Mas, hoje, sei lá… parece que tive uma inspiração e consegui falar (leia-se gritar) com minha mãe o que eu penso disso tudo e como essa atitude dela diante do divórcio é nociva a nós duas.
Disse que não era possível que ela não enxergasse como isso a faz ridícula. Perguntei se ela não se ama, se não se valoriza. Se ela não se cansa de colocar meu pai na posição de macho cobiçado, por quem ela sente um incontrolável ciúmes. Gente! São vinte e quatro anos de separação! Meu Deus! Perguntei se ela não está cansada de fazer papel de palhaça nessa história.
Minha mãe é uma das pessoas mais orgulhosas que eu conheço. E, ao mesmo tempo, se humilha tanto! Mas, é justamente esse orgulho descomedido dela que não a deixa aceitar que o casamento acabou, que eles não são mais uma família, que o vínculo que eles têm consiste, apenas, nos filhos e netos. Então, a super-orgulhosa se coloca em posição vexaminosa. Que triste…
Bom… brigas entre nós duas sobre esse famigerado assunto já ocorreram inúmeras vezes. Ela nunca muda, porque, como ela mesmo diz, ela está certa que tem razão em agir dessa maneira. E ela fica alguns dias sem falar direito comigo, respondendo entre dentes, se trancando no quarto. Mas, a verdade é que hoje eu lhe disse coisas que, parece (apenas parece, viu diarinho, pois minha mãe é imprevisível) que fizeram a ficha dela cair. Tanto que ela apenas me respondeu “e precisa gritar assim comigo?”, virou as costas e foi pentear os cabelos, como se nada tivesse acontecido. Não berrou que eu sou partidária do meu pai, que eu o protejo, que eu a detesto, nada disso! Depois, veio conversar sobre o seriado “Lost” (!), falou que precisava comprar frutas, legumes, sabão em pó. Tudo tão normal, que ficou anormal diante do que tinha acabado de ocorrer.
Se eu conheço um pouquinho que seja minha própria mamy, isso significa que ela, finalmente, aceitou meus argumentos e que, pelo menos, vai pensar neles. Mas, olha diário querido, não quero criar esperanças quanto a isso. Vai que eu mando raspar o calo que já se formou dentro de mim, crente que nada disso vai acontecer de novo e, pronto, cadê minha proteção? É ruim, hein!
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Published in: on 8 fevereiro - 2006 at 5:16 pm  Deixe um comentário  

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