Mágoas

Relacionamento é sinônimo de mágoa. Qualquer que seja este – marido e mulher, pais e filhos, entre vizinhos, colegas de trabalho, membros de uma igreja, de uma comunidade no Orkut – se houver convívio relativamente próximo de dois ou mais seres humanos, surgem mágoas e ressentimentos uma hora ou outra.
Essas mágoas podem ter um alcance maior ou menor em nossa vida, dependendo da importância que conferimos à pessoa que as causou e da freqüência no convívio que temos com o desafeto da vez. Óbvio: ver todo dia a cara daquele colega de trabalho que foi super grosso com você, ou do marido que esqueceu a data do primeiro beijo trocado entre o casal, pode ser muito desgastante. Nesses casos, se não se resolve o problema de imediato, ele se arrasta e toma proporções muito maiores do que o motivo que o originou. Outras pessoas que não têm convívio diário conosco, aqueles que a gente vê uma ou duas vezes na semana, tipo o colega do cursinho de mandarim que a gente paquera e depois fica sabendo que ele espalhou que somos doidas, jamais ficaria com uma baranga dessas, não nos deixam tão mal. A gente acaba por deixar pra lá.
Recentemente, passei a conviver de maneira bem próxima com pessoas que nunca vi o rosto, conversando com elas quase que diariamente, numa freqüência maior do que faço com muitos de meus amigos de longa data. Algumas dessas pessoas se tornaram mesmo íntimas, me vejo compartilhando esperanças, ansiedades, tristezas e ouvindo delas muito de seus sentimentos e espectativas, numa mão e contramão típica de uma amizade sincera. É bom? Sim! É ótimo! São pessoas maravilhosas, que passei a amar como qualquer uma outra que eu possa tocar com minhas mãos.
Essas pessoas estão espalhadas por aí. Às vezes tão longe, que sequer posso ter esperança de um dia encontrá-las pra tomar um chopp e comer um pastel. Mas, são importantes pra mim, quero saber o que elas pensam sobre diversos assuntos, quero contar o que se passou comigo, coisas boas e coisas ruins. Mas, é um convívio, não é? É uma espécie de relacionamento. Então, surgem mágoas, não tem jeito.
E aí, de repente, a gente vê que esse fenômeno não acontece só com você. As pessoas estão aí, se relacionando doidamente na grande rede. E o convívio é diário e intenso. E as mágoas geradas também são intensas. E as pessoas acabam por não se suportar mais. E não querem mais “encontrar” aquele outrem por aí. E mudam de endereço, mudam de servidor, mudam tudo! E é tudo tão forte!
Além disso, parece que todos moramos em uma vila de 2000 habitantes, porque o desentendimento de uns se torna assunto de toda aquela comunidade, gerando partidos. Tomamos as dores, fazemos julgamentos, caraca, parece uma quermesse do interior!
Só que essa seara de relacionamento ainda é muito nova se comparada a outras. Por isso, agimos todos de forma bem imatura. Resultado? Mais mágoas.
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Published in: on 29 março - 2006 at 3:35 pm  Deixe um comentário  

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