Adoção

Não é a primeira vez que falo de adoção aqui no blog, mas nunca entrei em muitos detalhes. Se não me engano, da outra vez que mencionei o assunto, foi só pra dizer que é o único tipo de processo que dá prazer em trabalhar.
É claro que quem procura o Poder Judiciário o faz porque quer resolver um problema. Os motivos, quase todos, são mazelas, coisas ruins. A adoção é uma exceção e tanto nesse repositório de infelicidade que é um fórum. Mas, ainda assim, é cercada de tantos tabus e preconceitos, o que faz com que esses processos sejam tão raros em nossos escaninhos.
O primeiro obstáculo à adoção não é um preconceito e, sim, um desejo natural do ser humano: a vontade de procriar, de ter continuidade genética por meio de um outro indivíduo. Falo genericamente, mas o natural é querer que os filhos se originem de nossas entranhas. Por isso que tanta gente gasta tanto tempo e dinheiro em tratamentos de fertilização. E é muito tempo mesmo, uma década, às vezes, sendo pouco. E, no fim, a frustração pode ser tão grande que às vezes até desanima a pessoa de tomar um outro rumo e adotar uma criança.
Outra idéia comum que afasta a muitos é a de que o processo de adoção é complicado e demorado. Olha, gente, no geral não é assim porque a adoção não é um processo que costuma ter “briga”. Quer dizer, o que ocorre normalmente é que ou há a concordância dos pais biológicos com a adoção, ou estes pais não são encontrados – ou não se interessam – para se manifestar. Então, não havendo o que chamamos de lide, não há muita demora. É um processo que deve ser conduzido de forma bem cuidadosa, uma vez que envolve coisa tão delicada que é a criação de vínculos de parentesco (e a desconstituição destes, também, da família original) e não pode ser levado a toque de caixa, por óbvio. Mas, se compararmos com outros tipos de processo, a adoção até que é bem rapidinha.
Agora, o que talvez mais afugenta um prospectivo candidato a pai/mãe adotivo seja a crença de que é impossível estabelecer um vínculo perfeito, tal qual o de pais e filhos biológicos, com aquela criança que você acolhe. Muitos acham que o adotado, depois de crescido, vai se tornar um ingrato, manifestando indesejáveis características de personalidade herdadas por via genética, e que, sem os “laços de sangue”, será insuportável o relacionamento familiar.
Bem… o realmente impossível é prever quando um filho, biológico ou não, vai causar problemas sérios para os pais. Não tem como saber isso. Não tem como olhar no rostinho de uma criança, seja ela qual for, e advinhar qual será a dela quando adulta.
Me deu vontade de escrever sobre isso por conta de uma audiência de adoção que aconteceu ontem aqui no trabalho. Os pais estavam tão contentes, amavam tão intensamente aquele filho, a criança estava tão feliz e segura com aqueles dois, que vou te dizer, é difícil não se comover e deixar de recomendar em altos sons: “Ei! Se você puder dar lugar a isso em seu coração, adote uma criança!” A gente pode falar tantas outras coisas sobre esse assunto, sobre como existe uma necessidade enorme de que pessoas se habilitem a oferecer lares substitutos para crianças abrigadas, em como a miséria seria diminuída se mais famílias se dispusessem a adotar etc, etc, etc. Mas o post ia virar um monstro de tão grande. Por isso, fico por aqui.
Anúncios
Published in: on 20 setembro - 2006 at 1:40 pm  Deixe um comentário  

The URI to TrackBack this entry is: https://loucaporblog.wordpress.com/2006/09/20/adocao/trackback/

RSS feed for comments on this post.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: