Vinho à beça na cabeça

… tá, não é hora… mas é que estou mesmo alta… aff…

Published in: on 30 dezembro - 2006 at 4:17 am  Deixe um comentário  

Por que não comemoro o Natal*

Não é porque me decepcionei com a festividade. Não é porque acho que não exista mais o tal “espírito de Natal”. Aliás, pra dizer bem a verdade, acho que o “espírito de Natal” sempre foi esse mesmo que vemos por aí – consumismo, bebedice, comilança – e só está cada vez mais forte.

 

Basicamente, não comemoro o Natal porque tento ser cristã. Então, por causa de suas origens, deixo passar essa data. É… isso pode parecer estranho, mas não se precisa se aprofundar em muita pesquisa pra ver que o raciocínio é esse mesmo.

 

Não é novidade que 25 de dezembro não é o dia do nascimento de Jesus. Todo mundo sabe disso, não sabe? Na New Catholic Encyclopedia se encontra: “A data do nascimento de Cristo não é conhecida. Os Evangelhos não indicam nem o dia nem o mês”.

 

Ademais, está bem documentado que o Natal e seus costumes foram adotados de fontes não cristãs. De fato, é impossível separar o Natal de suas origens pagãs. Como a Encyclopedia Americana explicou: “A maioria dos costumes agora associados ao Natal originalmente não eram costumes cristãos, mas sim costumes pré-cristãos e não-cristãos adotados pela igreja cristã. As saturnais, festa romana celebrada em meados de dezembro, forneceram o modelo para muitos costumes festivos do Natal. Dessa celebração, por exemplo, derivam-se os banquetes suntuosos, a troca de presentes e a queima de velas”.

 

E olha só como o “espírito” dessas antigas festividades era esquisitão. Sobre o costume de presentear, por exemplo, a revista History Today comentou: “A troca de presentes na festa de meados do inverno (inverno no hemisfério norte, diga-se de passagem, porque aqui faz um calorzão do raio) quase seguramente começou mais como costume mágico do que como simples costume social. Os presentes das saturnais incluíam bonecas de cera para crianças. Na época, um costume encantador, sem dúvida, mas com um passado macabro: mesmo os contemporâneos consideravam isso como provavelmente um vestígio de sacrifícios humanos, de crianças, para ajudar na semeadura”. Pois é… sacrifícios humanos de crianças… que fofo!

 

O jornal The New York Times de 24 de dezembro de 1991 publicou um artigo sobre as origens dos costumes natalinos. Neste artigo, Simon Schama, professor de História na Universidade de Harvard, escreveu: “O Natal foi acrescentado às antigas festas que celebravam o solstício de inverno… No terceiro século, quando cultos ao Sol, como a religião mitraísta da Pérsia, chegaram a Roma, cederam-se dias em dezembro para a celebração do renascimento do Sol invicto: o Sol invencível.”

 

O Professor Schama ainda nos informa que, dentre as tais antigas festas que se “transformaram” depois em Natal, destacam-se as Saturnais, de uma semana de duração, que começavam em 17 de dezembro, e as Calendas, que saudavam o Ano-Novo. A primeira festa era uma ocasião de anarquia generalizada, muitas vezes presidida por um chefe de folia, não o Papai Noel, mas o gordo Saturno das orgias, com comida, bebida e outros tipos de travessuras. Mas era nas calendas, quando o ano mudava, que se trocavam presentes de modo ritualístico, presentes estes que eram amarrados a galhos de árvores que decoravam as casas durante as festividades. Parece que não mudou muito daquela época até agora, não é?

 

A verdade é que o Natal é uma celebração pagã adotada pela cristandade. O dia 25 de dezembro não é a data do nascimento de Jesus Cristo, mas uma data relacionada com antigas festas pagãs e licenciosas. Então, não comemoro o Natal porque entendo que não se honra a Cristo com esses costumes. E acho que dá pra observar que, por mais que se fale em Jesus nessa época, o que prevalece mesmo é o “espírito de Natal” das antigas. Então…

*minha fonte principal de pesquisa foi o CD room Watchtower Library 2005.

Published in: on 27 dezembro - 2006 at 8:06 pm  Comments (1)