Joguinho

Meus amiguinhos solteiros, pergunto a vocês: é verdade que a xavecação é um jogo com regras complicadíssimas, sem lugar pra nenhuma atitude impensada, tal qual um xadrez em que você, pra mexer sua peça, tem que advinhar qual será o próximo movimento do… er – meu Deus! vou ter que usar essa palavra – adversário?

Cadê aquela disposição adolescente de, simplesmente, demonstrar os sentimentos e pagar pra ver se está sendo correspondido? Tá, tá… adolescência não é parâmetro, né?

É… também não sou parâmetro. Afinal, casei na adolescência e, o que é raro, permaneço casada até hoje. Então acho que é isso, acho que parei no tempo na arte da paquera (ainda se usa essa palavra?) e ainda penso como uma adolescente.

Aí, vêm meus amigos me contando o que estão fazendo por aí e o que andam fazendo com eles também e fico de bobeira. Caraca, que difícil! Se por algum trágico motivo ficasse sozinha, provavelmente assim ficaria pro resto da vida. Não ia ter tempo hábil pra aprender todas essas técnicas de aproximação, não ia mesmo. Até entender tudo, já seria uma velhinha de uns 80 anos.

Nem vou ficar aqui contando os causos que tenho ouvido por aí, não tem graça isso, mas vou dar pitaco sobre algumas coisas que observo.

Primeiro, a impressão que se dá é que todo mundo quer advinhar o que passa pela cabeça do outro e, mais engraçado ainda, quer que o outro saiba o que está em seu pensamento sem que haja a necessidade de se falar nada. Coisa estranhíssima, porque tal arte exige a análise de vários fatores comportamentais, que podem incluir desde a maneira em que se pede o número de celular do ser desejado até o modo como se segura um copo na balada depois que se fixa o olhar no carinha que você tá a fim. Bom… foi pro saco todas as idéias de que a boa comunicação entre dois humanos exige o verbo. Dizer que ficou mesmo muito bem impressionada com a pessoa e que seria legal continuarem se encontrando, ai, que horror, é chabu.

Outra coisa engraçada: o pessoal, aparentemente, tá mesmo armado para guerra. Afinal, depois dessa análise minuciosa dos gestos e intenções do outro, grande parte da conclusão é desfavorável à pessoa e passa-se ao contra-ataque pra não se ficar por baixo. Ui… receita perfeita de como gerar um somatório de mágoas. O que era pra ser conquista passa a ser esfacelamento da auto-estima alheia como forma de soerguer a sua própria.

Junto com isso, se observa um instinto exacerbado de auto-proteção, todo mundo com verdadeiras armaduras, com um medo absurdo de sofrer decepção, de ser rejeitado. Loucura! Tá na cara que a imagem que se faz de si próprio tem muito a ver com o êxito que se tem na conquista e que reiteradas “derrotas” – ai, beibinho, você me contaminou! – abalam essa imagem fortemente.

Ai gente… difícil viu…

O mais triste é ver que, se está assim, é porque existe mesmo um bom motivo pra isso. As pessas realmente estão precisando se proteger uma das outras. Muito triste mesmo.

Published in: on 10 janeiro - 2007 at 9:27 am  Comments (12)  

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12 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Égua do troço complicado!! Bom que já é quase inconsciente.
    Na prática parece bem mais simples. Ainda bem!

    Vai na onda, né?

  2. Ai, Mamy! Tira essas foténhas que tô pra ficar ruiva de novo!!!

    Fica, fica, fica!!!

  3. Isso aí é coisa de gente insegura demais, Clau! Olha, o que vou falar não serve só pra relacionaentos. Eu apanhei muito na vida, mas continuo me atirando de cabeça em tudo. E minha última loucura deu muito certo, hehehe! Tudo na base do “falar o que sinto abertamente”. Vc sabe como eu sou, recomendo isso pra todos. DIálogo sempre. Nada de ficar tentando adivinhar e mandar sinais.🙂 Abraço!

    Rapá, sabe que, quando escrevia isso aqui, me lembrei muito de você! Pensava: “isso aqui não se aplica ao Pogodom”… heheehehehe…🙂

  4. Como amiguinha solteira, digo que também acho meio complicado tudo isso. Essa tal técnica de aproximação então…

    Pois é, pois é… complicadinho mesmo…

    =***********

  5. E, por eu NÃO seguir esses joguinhos do “eu faço de conta que não vi e você faz de conta que não sabe”, minhas coleguinhas de faculdade já disseram que eu pareço um homem na conquista, dando em cima escancaradamente.

    Gente! Falam isso pra mim também! Que pareço um homem na maneira de pensar… só que os homens também estão fazendo joguinho, ó céus!

    Bem, se não fosse assim, eu não estava com o Coyote – fui eu quem dei em cima dele e avancei pra beijar mesmo. O coitado estava indefeso.😀 Mas ele não acha que eu pareço homem não!

    Atacastes o menino!!!! Hahahahahaha

    Da única vez que entrei numa de fazer joguinhos, me ferrei, destruí meu coração, devastei florestas inteiras, mata de cocais e o resto tudo. Joguinhos são coisas do mal.

    Pois é, pois é…

  6. Sabes o porquê dos joguinhos? O medo que as pessoas têm de ficar sozinhas, de ficar para tia, sem nunca chegar a ser mãe.
    Comigo passa-se isso. Por um lado não tenho paciência da procura, da conquista, sou demasiado óbvia, por outro tenho um medo do rídículo que me pelo… Por isso, enquanto que sou homem no pensamento, sou uma menina de 15 anos com medo de falar com os rapazes!

    Entendo… o tempo vai passando e a gente se pergunta se vai mesmo conseguir fazer tudo que planejamos, como, por exemplo, ter uma família.

    O jogo é necessário, é uma maneira de nos defendermos!

    Só não sei se é eficaz…:\

    Beijo Mamy!

  7. Concordo com o Trotta…
    E digo mais….
    Não sou semafaro pra ficar dando Sinal….

    Hauahauahauahauahauhauah

    O que eu tenho pra falar falo mesmo! E acho que só assim é que se vai pra frente!
    Conversando realmente!

    E, já te falei, que admiro muito isso em você.

    E conversar é uma arte meio que perdida hoje em dia…
    Conversar é saber falar, mas principalmente saber ouvir!

    Ouvir é importantíssimo, Bodas, importantíssimo! E poucos sabem fazer isso…

  8. É… e é difícil as pessoas quererem ouvir… têm medo de tudo!

    … e falta de interesse, também. As pessoas só se ligam nelas mesmas.

    Mas está tudo mais complicado mesmo… tava lendo uma matéira ontem na Revista MTV, em que um sociólogo polonês descreve o amor nos dias de hoje como “amor líquido”… não dura a vida toda, dura alguns meses!
    Acho meio bizarro!

    É mesmo bizarro. Sem contar no que os estudiosos têm observado: as pessoas querem ser monogâmicas, são monogâmicas, mas, ainda assim, trocam de parceiro várias vezes, porque não conseguem manter o mesmo relacionamento por muito tempo. Tá doido!

  9. De fato, tem a ver com insegurança, com poder da imagem, com pessoas que se ligam em coisas superficiais, e até um pouco com instinto. Porém numa ultima análise este fica bem atrás se formos levar em conta todos os “joguinhos” que existem por aí.

    Que é insegurança está óbvio. Mas nem sempre é futilidade… na maioria das vezes, é instinto de proteção.

    Deve ser por isso que a cultura do fica tá tão em alta e os namoros que dão certo (de verdade mesmo) estão em baixa. O consumismo chegou aos corações.

    Infelizmente…

  10. Mamy, até passei esse seu post para uma amiga minha ler… Ficou demaissss! ;D

    (E ela concordou com você, hehehe).

    Uia! hahahahahaha… é só pitaco, Yuri, só pitaco.

    Eu acho que é um pouco complicado porque muitas vezes as pessoas sofrem uma decepção ou, por qualquer outro motivo, estão decididas a não facilitar a vida de quem tá tentando ter algo (sério ou não!) com ela….

    Mas isso vira uma bola de neve, né não?

    Sei lá… acho que eu sou orgulhoso demais pra entender disso, hahahaha ;~)

    Ih! Orgulhoso? hum…

  11. Não é eficaz não… Protege-nos também da felicidade.
    Não que tenha medo dela, mas o sofrimento é mau… muito mau!

    Pois é… é isto que tenho observado…😦

  12. Hey, Cal!

    Só agora fui ler. E pelo visto tá bem animada esta troca de opiniões…
    Em algumas coisas eu concordo. Em outras discordo. Em ainda outras, eu não concordo e nem discordo – muito pelo contrário.🙂

    Quando você fala que todo mundo quer adivinhar o que se passa na cabeça do outro, por exemplo, eu concordo. Aliás, não só as pessoas que estão joguinho querem adivinhar. Mas todo mundo mesmo, como você foi feliz na citação.

    Todo mundo quer agir com segurança, e ter êxito. Então não dá para agir com segurança se você não sabe de fato tudo o que está acontecendo.

    Se a outra pessoa está interessada em você ou na sua conversa, por exemplo, vale a pena levar a coisa adiante. Se ela não gosta de você, ou tá te achando um saco, talvez seja a hora de tirar o time de campo. É tudo uma questão de otimização, não acha?

    Mas quando você fala, por exemplo, que todo mundo quer que o outro adivinhe o que se passa na sua cabeça, aí não.

    Mas quando eu me referi a jogos, contigo, eu quis ser mais dedicado à arte do relacionamento como um todo do que à parte dela que trata da paquera. Isto porque a mente humana, no inconsciente, é algo muito maior e mais complexo do que o que nós – usando o nosso consciente – ousamos imaginar. Aliás, vale lembrar, nossos pensamentos e atos são motivados muito mais por estímulos inconscientes do que pela razão.

    E é nesse inconsciente onde mora o objeto alvo do “joguinho” a que, agora sim, ambos nos referimos. Todos nós, humanos, queremos, no final das contas, sermos amados, desejados e satisfeitos – isto justifica a ação do “jogador”, que quer atingir aos seus objetivos.
    Só que nem sempre estamos seguros do que, e se, queremos ou não dar, expor, ou dedicar à outra pessoa. E isto vale para as duas partes.

    Beijos e parabéns pelo seu texto

    Meu Deus, beibinho, você fez um post!!! Cê sabe que te amo, num sabe?


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