Impotência

Taí algo que acho muito difícil de digerir: o sentimento de impotência. Não gosto de situações em que sou obrigada a reconhecer que nada posso fazer. Isso é terrível para mim. Quero, pelo menos, tentar alguma coisa! Mas, nem sempre isso é possível. Nem sempre isso é aconselhável. E essa sensação de “mãos atadas” não me é fácil.

Quer ver uma hipótese que sempre me deixa perplexa? Quando um filho meu está doente. É claro que há várias coisas que se pode fazer nessa situação: levar ao médico, medicar da forma prescrita, fazer os exames pedidos. Mas, e depois? Você já fez tudo o que podia e devia, só que a doença não cede. Você se sente impotente. Aquela criaturinha tão frágil, tão indefesa, está ali sofrendo e você não pode fazer mais nada a não ser esperar que o organismo reaja bem, reaja da forma esperada. Ah, isso é horrível!

Uma vez meu filho mais velho levou um tombo e machucou o fêmur. O primeiro ortopedista que consultei disse que o único tratamento era cirúrgico. Meu Deus! Um menino de nove anos fazendo cirurgia no fêmur! Fiquei apavorada. É claro que procurei outros médicos. Só que, de uma consulta para outra, o que podia eu fazer? Nada… só esperar. Lembro de ir ao quarto de meu filho, depois dele já ter dormido, sentar na beira de sua cama e chorar, chorar e chorar. Eu estava impotente… Eu estava com as mãos atadas… E esse sentimento era muito difícil de suportar.

Tenho essa sensação de impotência, também, quando tenho que enfrentar problemas causados por atos de outras pessoas próximas. Por exemplo, quando eu tinha 13 anos, meu pai resolveu sair de casa e ir morar com outra mulher. Caraca! Isso significou uma mudança tão radical na minha vida – mudei de endereço, mudei de escola, a falta de dinheiro se tornou absurda, minha mãe teve que começar a trabalhar fora – e eu não podia fazer nada. Me lembro de chorar, à noite, não só pela tristeza de ter a família dividida, mas de raiva pela impotência diante do acontecido. Ai, minha boca chegava a amargar.

Bom, o certo é que sou mesmo centralizadora. Quero saber que tenho o domínio da situação, que tenho o domínio da minha vida. Imprevistos, no geral, me deixam um tanto quanto mal humorada. Mas, se tenho como lidar com eles ótimo. Agora, me ver impotente diante de alguma coisa… hum… é detestável!

(Postado pela primeira vez em 27/03/2006)

E a impressão de que tem muito mais coisas me fugindo ao controle não é falsa… infelizmente…

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Published in: on 15 outubro - 2007 at 8:26 am  Comments (14)  
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