A quem a gente culpa

Hoje acabei de ler o romance Quando Nietzsche chorou. Confesso que me é difícil expressar como e com que intensidade as reflexões do Dr. Breuer sobre sua própria vida me tocaram. Talvez as semelhanças que vi entre esse personagem e eu sejam a explicação para o fenômeno. O certo é que estou emocionada.

Parece que também estou às voltas com um pensamento obsessivo. E, tal como Nietzsche perguntou a seu amigo Breuer, me pergunto: o que essa obsessão quer esconder? Em que evito pensar enquanto gasto energias com essa idéia fixa?

E todo meu ressentimento contra coisas aparentemente sem importância? Qual é a origem dele? Ou, como melhor concluíram os personagens do livro, o ideal seria perguntar: qual é o significado desse meu ressentimento?

No fim, me ficou a idéia de que a gente só é razoavelmente feliz quando encaramos nossa vida como fruto de nossa escolha. Nosso emprego, nosso estado civil, nossas crenças, nossa maneira de viver – ainda que nos tenham sido impostas pelas circunstâncias – têm que nos dar a sensação de escolha pessoal, de livre arbítrio. Precisamos da impressão de que só estamos nessa porque queremos e que, a qualquer momento, podemos mudar de vida e recomeçar do zero.

O que nos deixa infelizes não é, propriamente dito, a vida que a gente leva. Mas é saber que estamos imobilizados nela, sem chance de escapar. E só você tem culpa nisso… só você…

Published in: on 18 abril - 2008 at 10:12 am  Comments (7)  

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7 ComentáriosDeixe um comentário

  1. Eu assisti a peça desse livro!
    Ainda quero ler o livro tb!
    Mas tenho que dizer que sai com essa mesma certeza!
    Mas vista com menos tristeza do que as suas palavras passaram… e sim mais alegria!
    desde de sempre faço questão de escolher e re-escolher meu caminho em minhas convicções!
    E isso me deixou feliz! De estar pelo menos fazendo uma coisa certa!
    HEHEHEHEH

    Que bom, Bodas… eu é que fiquei melancólica… mas é bobagem, já passou…🙂

  2. Bem, eu não li o livro e confesso que tenho alguns pés atrás com ele, mas do que vc escreveu, eu achei legal!
    Concordo em grande parte sobre a questão da escolha, mas quanto a sentir o livre arbítrio, isso já confesso que tenho algumas dúvidas, mas elas ainda estão meio confusas na minha cabeça e não consigo nem explicar direito! Preciso, na verdade, pensar mais sobre isso, pra poder falar alguma coisa mais “compreensível”…
    Bem, bjinhos procê, bom findi!

    Ai, puxa, Juju!!! Você, com seu conhecimento da área, poderia avaliar muito melhor o livro. Lê ele!!

  3. Ainda não lo o livro, mas assisti à peça de teatro!
    É muito bom!

    Leia o livro, porque acho que você vai gostar.

  4. Então não dá mais pra falar que a culpa é dos nossos pais?

    Não, Neutron… a culpa é toda nossa mess… sinto muito…

    Meleca…

  5. todos nós estamos as voltas com pensamentos obsessivos, sempre, linda!

    por isso faço yôga! para domá-los, evitá-los, controlar o que penso, rs*……. nem sempre é possível, mas, ajuuuuuda que é uma beleza, rs*

    ameeeeeeei esse livro quando li, já o filme é fraco, fraco

    beijocas e bom feriado

    MM.

    Todos temos obsessões, né? Pois é… não vou mais encucar com isso.

  6. Puxa, que post triste. Eu não li esse livro, mas vi a peça de teatro com meus amigos, e gostei bastante! Me deu vontade de conhecer mais sobre Nietzsche que, claro, foi com quem eu me identifiquei mais, hehehe!

    Triste, né Pogodom? E você sumiu… mas agora não estou mais triste😀

    Eu acho que escolhas e livre-arbítrio são quase ilusões, já que a própria vida é quem nos leva a ser e fazer coisas quase que automaticamente. Mas ter a sensação de ter escolhas realmente é importante, sejam elas reais ou não.

    Beijo!

  7. Clau, eu li esse livro há um ano mais ou menos, fiquei com depressão pós-parto, hahaha! Todo mundo é maluco, todo mundo tem neura, só tem que ter o bom senso e poder perceber o quanto essa neura atrapalha nossa vida, mas pra isso são necessários uns 30 anos de terapia, hahaha!

    Ai, Karen… coisa doida é nossa cabeça, né? Acho que nem terapia dá jeito, huahuahauhaua…


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