Papai e mamãe

Escrever sobre falar mal dos pais é genial, a Clau me convidou pra escrever algo no blog dela, e lembrei que do mesmo jeito que falamos mal dos nossos, os nossos filhos falam, ou falarão mal de nós. Então, eu não vou conseguir, prefiro fazer um apelo, ando pensando muito nisso ultimamente, na difícil missão de ser pai e mãe e tenho considerações a fazer.

 

Passei a infância inteira, a adolescência e ouço até hoje de minha mãe que meu pai não presta, porque bebia, ia na zona, que ela separou dele, nunca recebeu um centavo de pensão pra gente porque ela provou pra ele ser auto-suficiente, a poderosa, a mulher maravilha e tinha dois empregos pra poder sustentar a gente.

 

Já que era tão boa, porque ficava falando mal dele? Esquece o cara e pronto!

 

Um dia veríamos com nossos próprios olhos como ele é idiota, como vi há uns meses atrás quando sua mulher faleceu e ele me ligou, depois de 30 anos, dizendo que queria que minha mãe voltasse pra ele pra limpar a casa dele e ele também precisava de sexo, pois não era de ferro.

 

Viu só? Descobri sozinha que o cara é passado, sem noção, fora do cabo, insano.

 

Vários pais e mães se escondem atrás do trabalho, e dizem pro filhinho que estão garantindo o futuro dele, enfiam o filho numa escola o dia inteiro, ah, e fazem questão de falar quanto pagam na escola particular, que é caríssima, e a escola tem que amá-lo e educá-lo, porque os pais não tem tempo pra isso. Crescem mal amados e fúteis achando que o dinheiro vai resolver tudo sempre, coitados…

 

No dia do jantar da Fal, passamos no Shopping Morumbi antes, pra encontrar o Branco Leone e sua família, e o Ziraldo estava lá dando autógrafos, eu levei “O menino maluquinho” do Dudu, estava na fila aguardando minha vez, tinha um casal na frente, e a mãe olhou assustada pra criança no carrinho, perguntou pra ela se ela tinha feito caca, perguntou várias vezes e dizia que estava fedido e que lá não era lugar de fazer caca, dá pra acreditar?

 

Meu, o cu é da criança, cada um faz cocô a hora que quer, a mãe quer mandar até na bosta do filho, imagina no que mais ela é capaz de se meter! A débil é incapaz de saber que se trata de um ato fisiológico.

 

Nisso aparecem Lia e Bia, a Lia estava com o dedo no nariz, falei bem alto pra ela limpar direito o narizinho e morremos de rir!

Os pais estão se separando, vixe, coitada da criança… Ouve um falar mal do outro, o que eles esquecem é que não deixarão de ser pais, só separados como casal, uma coisa independe da outra.

Sei que o casal sai machucado, e até a separação ocorrer de fato existe um desgaste físico e mental muito grande, mas o filho não pode nem deve pagar por isso, devem resolver o problema como adultos bem resolvidos por mais doloroso que seja.

 

Que mania do pai ficar dizendo que a mãe torra todo o dinheiro da pensão, e a mãe diz que o pai não tem tempo pro filho porque está de namorada nova, ou está bebendo com os amigos!

 

Eu e o pai do Dudu somos amigos, jogamos aberto e sempre peço a opinião dele pra tudo.

 

O Dudu fez um trabalho de escola outro dia e ele tinha que apontar 5 qualidades e 5 defeitos dos pais, e adivinhem? Eu tinha 10 defeitos e o pai dele 10 qualidades, sim, isso mesmo, ele disse que não vê defeito no pai, mas eu sou muito chata, porque mando tomar banho e lavar a cabeça, e escovar os dentes, fazer lição, um monte de coisas ruins.

 

Liguei pro pai dele, contei isso, e o chamei de rabudo filho da puta.

 

O que estou tentando dizer é que dinheiro é legal, mas não compra o bom senso, trabalhar demais não faz bem pra ninguém, e as mães não precisam fazer de conta que são as boazudas do pedaço, deixam o filho de lado pra se ferrar trabalhando como malucas pra provar o quê pra quem?

 

Tive que fazer anos de terapia pra entender que nem todo homem é igual ao meu pai, e tento ser diferente da minha mãe, que não acredita mais no amor, no relacionamento, no fazer o bem pro outro sem querer nada em troca…

 

Se você tem filho, sei que é um trabalho duro criá-lo, ainda mais na pré-adolescência, onde ele tenta descobrir onde ele se encaixa, não sabe se é criança, se é dependente ou independente, quer chamar atenção, quer ser notado, tenha calma, paciência, e faça com que todas as fases sejam menos doloridas pra todos.

 

E você só conseguirá isso com muito amor e humor!

Beijos, Clau espero ter atendido bem ao seu pedido e obrigada por dividir comigo seu espaço. Adoro você!

 

 

 

 

Karen Basseti é A Fresca que escreve sobre comidinhas frescas, cheiro-verde, hortelã, gengibre, vinagre de vinho branco, sopas, caldos, chazinhos e ventinho bom entrando pela janela. Ah! E é mundialmente famosa por ser a mãe do Dudu e da Lia, além de mulher do Biajoni.

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Published in: on 18 outubro - 2007 at 10:41 am  Comments (11)  

Drops de delicadeza

Comprei os livros da Fal – “Crônicas de Quase Amor” e “O Nome da Cousa” – no jantar árabe do dia 06. Finalmente. Tinha tempo que queria, mas sou muito preguiçosa e sempre protelava mandar email encomendando, minha ida ao banco e essas coisas todas. Mas lá no jantar os livros estavam à mão e aproveitei.

Comecei por ler o “Crônicas de Quase Amor” assim que cheguei no hotel. Mas já eram quatro da manhã e estava cansada. Não avancei muito na leitura. No dia seguinte, sim, tive tempo e disposição pra ler e, simplesmente, o fiz de uma tacada só. E, imediatamente depois, emendei com “O Nome da Cousa”, indo até o final quase sem tomar fôlego.

Bom… a Fal, no seu Drops, está sempre a me fazer rir e chorar, muitas das vezes ao mesmo momento. Com seus livros não foi diferente. Me espanta ver meus próprios sentimentos escritos por outra pessoa. Me encanta ver esses sentimentos escritos de maneira tão clara, simples, e de forma tão poética.

Uma vez me disseram que a Fal escreve pra mulherzinhas. Não posso concordar. Porque a Fal não é uma mulherzinha. Ela nem tem paciência com esse tipo de coisa. A Fal escreve sobre a perplexidade das relações; ela escreve sobre os desencontros, que têm sido muito mais freqüentes do que os encontros.

Os livros da Fal radiografam o coração das gentes pra descobrir que os sentimentos estão lá, mas tão confusos que fica quase impossível destes se revelarem. A Fal nos mostra que estamos perdidos e que não há nenhum caminho fácil à vista. Mas, se isso serve de consolo, que não estamos sozinhos nessa confusão.

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Quem mora na região de Campinas, não pode perder a noite de autógrafos da Fal. Gente, aproveitem pra comprar os livros, abraçar essa mulher deliciosamente macia e cheirosa e trocar uns dedinhos de prosa com ela, porque vale muito a pena.

Noite de Autógrafos “Luxo, Poder e Glória” com Fal Azevedo
Dia 10/11/2007, sábado
A partir das 19h00
No Tilli Center, em Barão Geraldo, Campinas – SP
Av. Albino J.B. Oliveira, 1600
Contato: 19 3289-4266
Maiores informações: livrosdafal@gmail.com

Published in: on 17 outubro - 2007 at 8:04 am  Comments (6)  
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