Das cartas que não se enviam

“Meu querido amigo,

dá para imaginar o quanto fiquei feliz em reencontrar você? Acho que sim. Acho que você também ficou muito feliz. Pois é… mas, como já te disse, nossa última conversa me deixou arrasada. Caramba, como fiquei triste!

Mas, não pense que fiquei assim por causa do que você me falou. Não! Na verdade, gostei demais. O que me entristeceu foi perceber que meu tempo já passou.

É… passou…

E se eu soubesse naquela época o que sei agora? E se você tivesse me dito, naquela época, o que me disse agora? E se… e se… Será que mudaria alguma coisa? Foi isso que me deixou triste.

É que fiz tantas bobagens, perdi meu tempo com tantas pessoas que não valiam a pena, me gastei à toa e logo você, uma das pouquíssimas pessoas que realmente importavam para mim – poxa, logo você! – eu deixei passar. É que eu nunca imaginei. Nem desconfiava.

Para dizer a verdade, eu pensava justamente o contrário: me sentia invisível na sua frente. Eita, que idiota!

Quer saber outra coisa idiota? Quando te vi aquele dia, com aquela menina (sua namorada), fiquei, bem no fundo, feliz. Sabe por que? Porque achei ela parecida comigo. É… parecida fisicamente comigo. Aí, pensei: gente, quem sabe ele também não me daria bola? Só que não tive coragem de me aproximar. Ficou tudo na mesma.

Olha, sinto muito, muito mesmo. Sinto tanto que até me surpreendo. Chorar o leite derramado? Bobagem! Eu me debulhei em lágrimas por causa do leite derramado… cara, ninguém merece!

Não, não chorei de verdade (antes o tivesse feito), mas fiquei com um buraco por dentro. Que coisa…

Com certeza seria tudo diferente, porque, com você, valeria cada minuto vivido. Porque você era a pessoa que eu sonhava para mim naqueles dias (e sonhei por muitos anos). E isso era tudo que eu precisava naquela época.”

(publicado em 28.9.05)

Published in: on 29 dezembro - 2008 at 11:31 am  Comments (5)  

Olha!

Estou chegando à conclusão que não estou bem emocionalmente. Tá, pode parecer que é moda – afinal, todo mundo está enfrentando altos e baixos emocionais – mas… é que não estou acostumada com isso. Nunca, nem na adolescência, tive grandes arroubos emocionais.

Por exemplo, não achava que tinha que pagar qualquer mico por uma grande paixão. Aliás, pra dizer a verdade, as minhas duas grandes paixões (é isso mesmo, foram só duas) nem foram vividas, as sufoquei, engoli, porque achei que, ora bolas!, não ia dar em nada mesmo, pra que perder tempo? Além do mais, na “grande paixão” número dois, apesar de saber que estava sendo correspondida, enxerguei grande risco de sair muito machucada, e eu é que não estou aqui pra isso.

E, quando alguém me magoa, não me permito ficar remoendo esse sentimento. Não! Não vou ficar de frescurinha, me sentindo vítima e coitadinha, só porque alguém muito importante para mim não me respeitou. Vamos em frente, porque não tenho tempo a perder com sentimentalismos! Não posso ter minhas energias desviadas por uma infinita tristeza.

Falar de sentimentos, do que vem por dentro? Nem pensar! Por dois motivos: primeiro, ninguém está mesmo interessado; só me ouviriam, se ouvissem, por educação. Segundo, como poderia eu ficar vulnerável, me expor? … ai, gente, tem coisa que não quero admitir nem pra mim!

Olha, estava tudo indo muito bem até há quinze dias. Não me questionava, ia só vivendo, tocando o barco. Agora, tudo mudou. Só que não estou gostando. Não quero ver o que tem dentro do meu coração. Quero voltar a (não) sentir como antes!

Quando que, em outros tempos, faria um post desse tamanho pra falar de mim?!?!?!? Saco

(publicado a primeira vez em 05.10.05)

Published in: on 23 dezembro - 2008 at 11:22 am  Comments (3)